Saudades!!!

Posted on setembro 10, 2010

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Ahhhhh que saudades de vocês, do blog, de postar… Saudades de quando eu tinha tempo, ânimo… aeuhae

Minha vida tá frenética! Sem tempo nem de me coçar /exagero. Tenho professores muito malucos (mas legais [alguns…]) um horário flexível (not!) que estou me acostumando (not!²) mas que sei que vou me acostumar. Só não me acostumarei com a saudade mesmo.

Preciso saber de vocês, mantenho a tirinha da semana? não sei se vou ter tempo pra postar todo final de semana, mas se vocês realmente quiserem eu mantenho e posto só quando der mesmo. ^^’ E comentem, droga! ¬¬’ aeuhaeuaehauehae brincadeira (not!³)

Viram o novo cabeçalho? Lindo né? *-* Condiz com a estação… Eu amo a primavera! *o*

Achei um texto bem interessante na biblioteca, em uma revista de literatura e vou postar ele aqui hoje. Espero que gostem. *-*’

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Porque o Jovem não deve ler

Ulisses Tavares

Calma, prezado leitor, nem você leu errado nem eu pirei de vez. Este artigo pretende isso mesmo: dar novos motivos para que os moços e moças de nosso Brasil continuem lendo apenas o suficiente para não bombar na escola. E continuem vendo a leitura como algo completamente estapafúrdio, irrelevante, anacrônico, e permaneçam habitando o universo ágrafo dos hedonistas incensados nos reality shows.

Epa, acho que exagerei. Afinal, quem não lê muito dificilmente vai conseguir compreender esta última frase. Desculpem aí manos: eu quis dizer que os carinhas, hoje, precisam de dicionário pra entender gibi da Mônica, na onda dos sarados e popozudas que vêem na telinha, e que vou dar uma força para essa parada aí, po**a.

Eu explico mais ainda: é que, aproveitando o gancho do Salão do Livro Infanto-Juvenil, realizado em 2004 no parque do Ibirapuera, Sampa, pensei em escrever sobre a importância da leitura. Algo leve mas suficiente para despertar em meia dúzia de jovens o gosto pela leitura. (De quê? De tudo! De jornais a livros de filosofia; de bulas de remédio a conselhos religiosos; de revistas a tratados de física quântica; de autores clássicos a paulos coelhos.)

Daí aconteceram três coisas que me fizeram mudar de idéia. Primeiro eu li que fizeram, alguns meses atrás, um teste de leitura com estudantes do ensino fundamental de vários países. Era para avaliar se eles entendiam de verdade o que estavam lendo. Advinhem quem tirou o último lugar, atrás até mesmo de paizinhos miseráveis e perdidos no mapa? acertou, o nosso Brasil. Logo depois, li uma notícia boa que, na verdade, é ruim: o (des)governo de São Paulo anuncia maior número de crianças na escola. Mas adotou a política de não-reprovação. Traduzindo: a pessoa passa de ano, sim, mas continua tecnicamente analfabeto. Ler sem raciocinar é como preencher um cheque sem saber quanto se tem no banco. E por último li, em pesquisa publicada recentemente nos jornais, que para 56% dos brasileiros entre 18 e 25 anos comprar mais significa mais felicidade, pouco se importando com problemas ambientais e sociais do consumo desenfreado. Ou seja, o jovem brasileirinho gosta de comprar muitas latinhas de cerveja, toma todas e joga nas ruas ou nas estradas, sem remorso. Viram como ler atrapalha?

A gente fica sabendo de fatos que se não soubesse teria mais tempo para curtir o próprio umbigo numa boa, sem ficar indignado e preocupado com a situação atual de boa parte de nossa juventude. E também faz o tico e o teco (nossos dois neurônios que ainda funcionam no cérebro) malhar e suar, em vez de ficarmos admirando o crescimento do bumbum e do muque no espelho das academias de musculação.

Por isso, num momento de desalento, decidi que, de agora em diante, como escritor e professor, nunca mais vou recomendar a ninguém que leia mais, que abra livros para abrir a cabeça. A realidade é brutal e desmentiria em seguida qualquer motivo que eu desse para um jovem trocar a alienação pela leitura. Eu reconheço, a maioria está certa em não ler. E tem, no mínimo, cinco razões poderosas, maiores e melhores que meus frágeis argumentos:

1 – Se ler, vai querer participar como cidadão dos destinos do país. Não vale a pena o esforço. Como disse o Lula, a juventude não gosta de política, mas os políticos adoram. Por isso é que eles mandam e desmandam há séculos.

2 – Se ler, vai saber que estão mentindo e matando montes de jovens todos os dias em todos os lugares do Brasil impunemente; principalmente porque esses jovens não percebem nem têm como saber a tremenda cilada que é acreditar que bacana é mentir e matar também.

3 – Se ler, vai acordar um dia e se perguntar que diabo é isso que anda acontecendo nesse lugar, onde só ladrões, corruptos, prostitutas e ignorantes aparecem na mídia.

4 – Se ler, vai ficar mais humano e, horror dos horrores, é até capaz de sentir vontade de se engajar num trabalho voluntário e parar de ser egoísta.

5 – Se ler, vai comparar opiniões, acontecimentos, impressões e emoções e acabar descobrindo que sua vida andava meio torta.

O espaço está acabando e me deu vontade de lembrar que ninguém – nem mesmo alguém que não vê utilidade na leitura – pode achar que há um belo futuro aguardando uma juventude que vai de revólver para a escola, e lá não absorve conhecimentos, mas um baseado ou uma carreirinha maneira. Sim, uma pesquisa feita pela Unesco em 14 capitais do país aponta que entre 9% e 18% dos estudantes já tiveram contato com armas de fogo.

Paro por aqui, já que, apesar desses tristes tempos verdes e amarelos (as cores do vômito, papito), lembro também de tantos poetas, jornalistas e escritores que, ao longo da minha vida de leitor apaixonado, me deram toques de esperança, força e fé na mudança. De um especialmente – o poeta Tiago de Melo – com seu verso comovido e repleto de coragem:

“Faz escuro, mas eu canto!”

Talvez meu pequeno cantar sirva de guia do homem e mulher de amanhã. E que, lendo mais, ele/ela evitem de ter como única opção para mudar de vida, dar a bunda (e a alma) ou engolir baratas (e a dignidade) diante das câmeras de televisão.

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