A era do absurdo

Posted on junho 8, 2010

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Olá pensadores! Estava eu lendo a galileu e me deparei com uma entrevista maravilhosa c0m um Irlandês chamado Michael Foley. Ele escreveu um livro chamado “The age of absurdity”, onde defende que nosso cotidiano se tranformou num amontoado de bizarrices e que o único modo de tentar ser um pouco feliz, é sendo hipócrita e aprendendo a rir desses absurdos. Vou postar para vocês algumas partes da entrevista com o homem que resolveu se manifestar sobre o fato de que o cotidiano nos deixa descontentes, que parece que todos estão se divertindo, menos nós mesmos.

Galileu: Então o mundo é absurdo. Como você pode ter certeza disso? Foley: É só olhar para o maior e mais espetacular evento do século 20. A ida do homem à lua. (…) A ida à lua, reuniu muitos absurdos chaves da nossa era, como a supremacia da imagem sobre o conteúdo, os meios transformados em fins e os detalhes sendo mais importantes que os valores absolutos. É incrível que o homem tenha pisado na lua com o único objetivo de provar que isso era possível…

G: Você cita uma associação que promove a autoestima como um dos absurdos. Ajudar as pessoas a gostarem de si mesmas não é bom? F: A autoestima é um conceito perigoso. É recente a crença de que a falta dela é a raiz de todo o mal, especialmente males como a violência, delinquência e fracassos escolares. Autoestima, hoje, é algo assim: você diz a si mesmo que é maravilhoso – e essa é a parte mais imbecil, já que ninguém é especial – e depois espera que todos acreditem nisso. Obviamente ninguém acredita e aí, ficamos muito bravos. O mais importante não é acordar seu “gigante interior”, mas seu “anãozinho interior”, aquela pessoa real que é esquisita, irritada, chata e difícil de conviver. Só que é extremamente difícil enxergarmos como realmente somos. E foi essa dificuldade que nos levou a essa sociedade absurda.

G: Então não devemos esperar tanto de nós mesmos, nem da vida? F: Exatamente. É por isso que a sociedade moderna transformou o meio do caminho no seu fim. Queremos viver para sempre no momento em que as coisas ainda são loucamente divertidas, seja nos relacionamentos, no trabalho ou qualquer outro aspecto. Assim, não enfrentamos os problemas cotidianos.

G: E qual a solução? F: A vida não é uma lista de prescrições. É necessário reconhecer que fomos amaldiçoados com o nonsense – a satisfação não está em objetivos como uma viagem maravilhosa à Índia ou em ter o carro do ano. A procura por qualquer propósito nos dias de hoje é inútil: a própria busca de um objetivo já é o sentido – temos que nos conformar com esse caminho. É esse o absurdo. O absurdo é o novo sublime, o sentido que antes era dado pelas religiões ou pelos grandes ideais. Agora, o objetivo é continuar procurando alguma coisa, mesmo sabendo que não iremos encontrar nada.

G: Dá pra conviver com o absurdo e ainda esperar algum tipo de satisfação? F: O Jeito mais tranquilo é seguir a sociedade do jeito que é. O trabalho virou o grande objetivo da nossa existência e a juventude eterna promete trazer todas as alegrias terrestres a quem alcançá-la. Podemos conviver com esses absurdos, mas não precisamos acreditar neles. A solução, basicamente, é ser hipócrita.


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